O menor paciente
Uma criança de dois anos e oito meses, uma barriga distendida e uma decisão cirúrgica que ele nunca esqueceu.
“Foi o meu paciente de menor idade.”
Adaptações editoriais dos episódios reunidos em "Reminiscências de um Médico". Preservamos o sentido de cada relato. Nenhum deles é orientação médica atual.
Uma criança de dois anos e oito meses, uma barriga distendida e uma decisão cirúrgica que ele nunca esqueceu.
“Foi o meu paciente de menor idade.”
No outro extremo da idade, um senhor de 79 anos chega com apendicite. Anos depois, vai procurá-lo em São Paulo.
“Recebi um paciente idoso, 79 anos, com apendicite.”
Um pronto-socorro vazio, uma ambulância, uma jovem com dor abdominal intensa e a rapidez que a urgência exige.
“Num PS vazio, às 2 horas da manhã...”
Um motorista baleado que ele reconhece de uma visita ao hospital, dias antes, quando o homem acompanhava a esposa e o filho recém-nascido.
“Foi a primeira vez que chorei com a morte de um paciente.”
Um consultório pequeno em cima de uma padaria, um senhor de 96 anos com fratura de fêmur e o encaminhamento que fez o bairro confiar no médico novo.
“A partir daí "choveram" clientes.”
Um paciente procura tratamento para emagrecer. O exame físico revela alterações pulmonares. O diagnóstico é tuberculose.
“Um tempo depois, ele veio ao meu consultório e chorou.”
Uma mulher que trazia a criança ao consultório e nem sempre pagava. Diante de uma crítica, Pedro respondeu com a frase que resume seu jeito.
“Você não sabe da vida dela, então não a critique.”
Uma criança de três anos piora depressa. O exame não mostra sinais evidentes, mas a mãe insiste. Pedro escuta, encaminha ao Emílio Ribas, e o diagnóstico é meningite.
“Foi a senhora, boa e cuidadosa mãe, quem me despertou para a gravidade da doença.”
Chamado às pressas a uma farmácia, encontra uma mulher caída após uma reação alérgica. Atendimento imediato, medidas de emergência e um abraço de alívio.
“A farmacêutica me abraçou e me beijou.”
Uma frase atribuída a um padre amigo resume a impressão que a dedicação de Pedro causava em quem o via trabalhar.
“Eu sei que sou o padre, mas o sacerdote é o Pedro.”
Felipe Guedes não conviveu com o pai. Conhece Pedro pelas histórias, e o ama por elas. O que mais guarda é o médico que atendia de graça quem não podia pagar: um jeito de olhar para as pessoas, e não para o dinheiro, que Felipe leva consigo.