Pedro Moretti GuedesMemorial · 1935–2010
Medicina

A Medicina como ofício e serviço.

Cirurgia, clínica, urgência, ensino e uma defesa constante do atendimento humano.

Formação

Sorocaba, Hospital das Clínicas, SAMDU.

Pedro formou-se em Medicina em Sorocaba, em 1963, e seguiu para São Paulo para a residência no Hospital das Clínicas. O acervo registra em seguida cerca de três anos no SAMDU, o Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência, onde o médico ia até a casa do paciente.

Foi uma formação de pronto-socorro e de rua, que aparece nos relatos: a madrugada vazia na Santa Casa, a farmácia que chama o médico às pressas, o motorista baleado que ele reconhece de uma visita anterior.

Cirurgia e clínica

Nos documentos da Clínica Médica Campo Limpo, Pedro aparece como médico clínico e "cirurgião de adultos e crianças". Suas reminiscências incluem apendicites em extremos de idade, urgências abdominais, ferimentos e diagnósticos que marcaram sua memória: uma tuberculose descoberta em quem só queria emagrecer, um fêmur fraturado em um senhor de 96 anos.

Docência

Um recorte o descreve como ex-professor de Técnica Cirúrgica e Cirurgia Abdominal na Universidade São Francisco, em Bragança Paulista. Dois de seus casos mais lembrados, o menor e o mais velho paciente operados de apendicite, aconteceram em Bragança. A vocação de ensinar reaparece nos artigos, escritos para explicar Medicina em linguagem de bairro.

Saúde pública

Pedro escreveu repetidamente sobre pronto atendimento, ambulatórios, convênios, remuneração médica, investimento público e a organização da assistência. Mais do que descrever doenças, interessava-se por como o sistema entregava, ou deixava de entregar, cuidado às pessoas.

Uma publicação oficial do Município de Osasco, de abril de 2005, o inclui na relação de profissionais médicos. O acervo traz ainda textos sobre atendimento em Osasco, memórias de Franco da Rocha e referências a Caieiras.

“Às vezes nem precisamos de remédio. Só a sua atenção e suas palavras já nos curavam.”

Mensagem de pacientes, preservada no acervo
O consultório

Um abraço na porta, música clássica e café.

A homenagem escrita por pacientes descreve a rotina: a recepcionista avisava, e o próprio Pedro vinha receber a pessoa com um abraço. Atendia ao som de música clássica, "suave como uma brisa". Oferecia cafezinho ou chá. Ouvia um por um.

Não se importava com a classe do paciente. "O importante para ele era a recuperação", diz o texto. O consultório, dizia outro registro, era "em toda parte", sem dia nem horário.

Quem criou este memorial

Felipe Guedes não conviveu com o pai. Conhece Pedro pelas histórias, e o ama por elas. O que mais guarda é o médico que atendia de graça quem não podia pagar: um jeito de olhar para as pessoas, e não para o dinheiro, que Felipe leva consigo.

Conhecer Felipe Guedes